Closeup of elderly hand holding a walking stick

A velhice é pra ser vista

É algo tão difícil para o ser humano a idéia de envelhecer e da finitude que isso torna a velhice uma fase da vida muito sofrida para todos os envolvidos, filhos, cuidadores, mas especialmente para os idosos.

Desconforto por se sentir um peso para a família é algo que sempre se escuta de um idoso. Obviamente se um idoso é semi-dependente ou totalmente dependente, ele precisa que alguém o ajude em quase todas as atividades que os adultos fazem no dia a dia no piloto automático: levantar, ir ao banheiro, tomar banho, comer…  Assim os filhos e cuidadores suprem rápida e artificialmente essas tarefas, mas muitas vezes cobrados por suas próprias tarefas como a criação dos próprios filhos, trabalho, locomoção ou problemas de saúde, explodem as questões familiares e vem com isso a impaciência. A idéia de que um dia o cuidador também vai envelhecer, às vezes operando em um nível inconsciente, promove uma angústia que sem saber por onde escapar aparece as vezes em forma de mecanismos de defesa com sinais que podem ser interpretados como falta de empatia, impaciência ou desamor.

É preciso lembrar que os cuidadores revisitam nesses momentos suas proprias infâncias, que as vezes podem ter sido maravilhosas, mas também podem ter sido tulmutuadas ou sofridas atualizando os conflitos de outrora quando aquele pai ou mãe eram ativos e responsáveis por sua infância. Assim a velhice deveria ser vista como uma situacão familiar e não apenas de forma individual.

Assim como um adolescente o idoso se vê muitas vezes preso em um corpo em transformação, mas se ao adolescente abundam possibilidades futuras, ao idoso lhe resta, se não for estimulado o suficiente, olhar o passado com amargura, pois suas atividades são limitadas. Se ao adolescente as negativas que lhe são feitas sobre sua subjetividade são temporárias (quando se tornarem adultos farão o que quiserem de suas vidas), ao idoso lhe é imposta a restrição permanente de liberdades que eles já exerceram muitas vezes em todas as ordens financeira, afetiva e física. Seu idoso já pode ter adorado cozinhar, dirigir, dançar… hoje está preso diante da TV.

É preciso então ver que o idoso representa a oportunidade de re-integrar essas histórias familiares amontoadas pelos anos, pelas frustrações e pelas obrigações. Nessa fase é preciso olhar o idoso como alguém que tem muito a contar de si e do que passou, talvez escutar seus arrependimentos ou coisas a respeito das quais ele se orgulha. O idoso também se desenvolve, se for regado. Ao contar de si é possível acessar suas memórias mais caras e acessar ao mesmo tempo as memórias dos filhos, dos netos e trabalhar sentimentos de mágoas, desamparo que possam ter sido experimentados pela família.

Não escutar o idoso é perder você mesmo a sua história. Se ela foi sofrida, você pode estar evitando entrar em contato com o sofrimento novamente, se ela foi feliz e a recordação que a felicidade de outrora passou, você pode estar igualmente evitando lidar com a perda de segurança e apoio outrora ofertados por seus pais ou avós.

Assim, é preciso entender que a história passa, mas os sentimentos permanecem. Revisitar a história é olhar as coisas como foram e ver como elas podem melhorar hoje. Tendo isso em mente é sempre possível e positivo mudar.

Sandra Rodrigues
Psicóloga e Psicanalista
www.lexispsicologia.com.br
Rua Armando d’Oliveira Cobra, 50 sala 502
(11) 95285-6858/ (12) 98100-7127

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