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Atividade física e memória em idosos

Vários estudos científicos vêm demonstrando a associação entre a realização de atividade física e seu impacto positivo na cognição, inclusive em pessoas mais longevas e que já apresentam biomarcadores sanguíneos e cerebrais da doença de Alzheimer (DA) e outras doenças cerebrais relacionadas à idade.

Quanto maior a atividade diária total, há melhora nas habilidades motoras, e estas últimas foram associadas a um aumento na reserva cognitiva. Estes são os resultados demonstrados pelas mais recentes pesquisas, ressaltando que se “mexer” tem realmente um efeito protetor sobre o cérebro.

Um destes estudos foi recentemente publicado na revista Neurology, em 16 de janeiro deste ano. Esta pesquisa mostrou que, mesmo em pessoas que já tinham diagnóstico comprovado de demência e de doenças cerebrais relacionadas à idade, a atividade física estava relacionada com habilidades de pensamento e memória melhores do que aquelas que não se moviam muito.

Esta recente pesquisa foi realizada com 454 idosos que participaram do Projeto Rush Memory and Aging (MAP), dos quais 191 tinham demência e 253 não. Para o estudo, todos os participantes foram submetidos a exames médicos anuais e testes cognitivos durante um período de 20 anos. Após a morte, autópsias foram realizadas em seus cérebros. A idade média à morte foi de 91 anos.

O seguimento incluiu medições da atividade física diária total através de gravações quase que diárias com um monitor de atividade. Mas, deve-se observar que se trata de atividade física diária total, o que inclui tanto as atividades de exercício físico quanto atividades do dia-a-dia. Assim, o que parece estar efetivamente associado à perda cognitiva é a inatividade física, ou seja, como exemplos, horas sentado em frente à televisão, pouca movimentação na casa, não realização de tarefas domésticas.

Fora este monitoramento, os idosos participantes realizaram um escore de habilidade motora que resumiu performances motoras supervisionadas obtidas próximo à morte.

Após a morte, seus cérebros foram observados para a presença de doenças relacionadas à idade. Estas incluíram perda neuronal relacionada ao Parkinson, doença do corpo de Lewy, enfartes cerebrais macroscópicos e microscópicos, aterosclerose cerebral e arteriosclerose, entre outras. Foram observados marcadores destas doenças como a carga β-amilóide e a densidade dos emaranhados tau em cinco regiões cerebrais diferentes.

Os pesquisadores avaliaram então a associação entre atividade física diária total e cognição em análises de regressão linear antes e depois do ajuste para as patologias cerebrais relacionadas à idade, controlando a idade, sexo e educação.

Os resultados mostraram que níveis mais altos de atividade física diária e habilidades motoras foram independentemente associados com melhorias na memória semântica, memória episódica, memória de trabalho, velocidade perceptual e habilidades visoespaciais. Os pesquisadores descobriram que para cada aumento de 1 desvio-padrão na atividade física, o risco de demência foi reduzido em 31%. Além disso, para cada aumento na capacidade motora em 1 desvio, os participantes tinham 55% menos probabilidade de desenvolver demência.

Estes escores, monitoramentos e acompanhamento por 20 anos, além dos dados de autopsia, demonstraram que um maior nível de atividade física diária total foi relacionado ao menor risco de demência, principalmente Alzheimer, e menor taxa de declínio cognitivo em adultos mais velhos. No entanto, os mecanismos subjacentes a essas associações ainda são pouco compreendidos.

“Achamos que o movimento pode fornecer uma reserva para ajudar a manter as habilidades de raciocínio e memória quando há sinais de demência no cérebro”, afirmou o pesquisador Aron S. Buchman, do Rush University Medical Center, em Chicago, Illinois, em um comunicado.

Essas descobertas podem ter importantes implicações para a saúde pública porque sugerem que fatores de resiliência, como atividades cognitivas ou atividade física, podem mitigar o comprometimento cognitivo da idade avançada, mesmo na ausência de terapias efetivas para reduzir a Demência de Alzheimer e outras enfermidades cerebrais comuns“, acrescentam os autores.

Porém, tanto os autores quanto os comentaristas da revista Neurology destacam que, apesar do estudo fornecer “evidências” para os efeitos benéficos da atividade física diária total no desempenho cognitivo, ainda resta explicar o porquê desta associação e um efeito não controlado: os resultados podem ser mais modestos entre os idosos com melhor cognição do que os obtidos para idosos já com demência.

A meu ver, estes são achados importantes e que impactam na forma como a atenção aos idosos portadores de enfermidade cognitiva deva ser oferecida, mostrando que quanto mais ativos estes idosos são mantidos, menos dano haverá ao seu cérebro.

Autora: Maria Elisa Gonzalez Manso

Publicado originalmente em: https://www.portaldoenvelhecimento.com.br

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