435186-PE9V32-827

Idosos que passam tempo demais vendo TV têm mais riscos de perder a memória.

Um estudo feito com mais de 3.500 idosos descobriu que aqueles que passaram pelo menos 3,5 horas por dia vendo TV tiveram maior declínio na memória. Publicada no periódico Scientific Reports, a pesquisa perguntou aos participantes quanto tempo eles passavam em frente à televisão, entre 2008 e 2009 e entre 2014 e 2015. Testes de memória verbal e fluência também foram aplicados nesse período.

A análise revelou que aqueles que assistiram à TV por 3,5 horas ou mais por dia tiveram um declínio médio de 8 a 10% na memória relacionada à palavra e à linguagem nos seis anos cobertos pelo estudo. Quem viu menos TV teve um declínio médio mais baixo, de 4% a 5%.

A explicação, de acordo com os pesquisadores, estaria no fato de que assistir à TV é uma atividade passiva. “A televisão tem sido descrita como uma atividade cultural única, pois combina fortes e densos estímulos sensoriais densos fragmentários, de um lado, com passividade do observador, do outro”, explicam os autores do estudo.

Essa passividade, juntamente com os efeitos psicológicos de testemunhar cenas violentas, de suspense e gráficas, gera um estresse cognitivo, que pode prejudicar a memória.

Outra explicação para os achados do estudo poderia ser que, quanto mais tempo as pessoas passam assistindo TV, menos oportunidades elas têm de se engajar em “atividades cognitivamente benéficas”, como ler, jogar jogos de tabuleiro e atividades culturais.

Os pesquisadores, entretanto, ressaltam que suas descobertas não sugerem que a visualização de TV na velhice não tenha nenhum benefício. Alguns estudos revelaram que os programas educativos de TV são veículos eficientes para o aprendizado e a TV também oferece um meio de escapar da vida em momentos de dificuldade, e muitas pessoas consideram isso uma forma de relaxamento.

“Mas se você está preocupado que a quantidade de televisão que você está assistindo possa ter um impacto negativo em sua saúde, aconselhamos limitar a quantidade que você assiste todos os dias e trabalhar em alguns hobbies saudáveis para sua rotina”, alerta Chris Allen, da Fundação Britânica do Coração, que financiou parcialmente a pesquisa.

Como o estudo foi feito
  • Os 3.590 participantes com mais de 50 anos e que não tinham demência responderam à pergunta de quantas horas, em média, assistiam à televisão por dia da semana e no fim de semana.
  • A cognição foi medida por meio de testes para memória verbal e fluência semântica. A memória verbal verbal foi avaliada por meio de uma tarefa em que os participantes ouviam 10 palavras por uma voz gravada, uma a cada 2 segundos. Eles deviam recordar o maior número possível de palavras imediatamente e após um pequeno intervalo de tempo, durante o qual completaram outros testes cognitivos.
  • Para a fluência semântica, os participantes deviam pensar em quantas palavras de uma determinada categoria (neste caso, animais) fosse possível em menos de um minuto.
  • Os testes foram realizados entre 2008 e 2009 e seis anos depois, entre 2014 e 2015. Ao unir os resultados, eles puderam relacionar o tempo gasto em frente à TV e a qualidade da memória verbal e fluência semântica dos voluntários.
Veja 9 dicas para cuidar da memória e manter o cérebro jovem por mais tempo
1. Faça ioga ou medite

Um estudo recente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein revelou que fazer ioga regularmente pode preservar áreas do cérebro relacionadas à memória. O trabalho analisou 42 idosas com os mesmos hábitos e condições de saúde e viu que, entre as adeptas, o córtex pré-frontal era mais espesso.

2. Mexa-se

A atividade física está associada a formação de novos neurônios e a uma melhora da resposta cardiovascular, o que também é importante para o cérebro, que depende do bom fluxo sanguíneo. Além disso, o exercício regular pode aumentar o volume do hipocampo, área que armazena e processa as memórias.

3. Malhe a mente

Vale palavras cruzadas, sudoku, xadrez e outros jogos que provoquem o intelecto, incluindo o videogame. Mas se você já está habituado a alguma dessas atividades, busque outras. Preservamos o cérebro por mais tempo quando somos confrontados constantemente com novos desafios.

4. Nunca pare de aprender

Quando aprendemos algo, novas conexões se formam entre os neurônios e a memória é exercitada como nunca, afinal de contas, precisamos ouvir, processar e armazenar informações inéditas. Por isso, não importa tanto o que se vai estudar, desde que seja algo diferente do que você já viu ou sabe, e que esse estímulo seja constante. Pelo mesmo motivo, a leitura é outro hábito indispensável.

5. Enriqueça o cardápio

A lista de ingredientes benéficos é longa, mas merece destaque a dieta mediterrânea, uma das principais aliadas do cérebro. Ela inclui azeite, grãos, legumes e verduras, mas principalmente prioriza o peixe ao invés da carne vermelha. Os flavonoides, presentes no cacau, nas frutas e em muitos outros vegetais também têm papel importante aqui. Para se ter ideia, um trabalho norte-americano de 2012 mostrou que o consumo regular de frutas vermelhas adiou em até 2,5 anos o declínio cognitivo de mulheres na terceira idade.

6. Durma bem

É durante o sono que as memórias se consolidam. Ou seja, enquanto dormimos, o registro de tudo o que aprendemos e vivemos durante o dia vai se estabilizando no hipocampo, de onde as informações poderão ser resgatadas quando forem necessárias mais uma vez. E não basta só fechar os olhos, o sono deve ser de qualidade.

7. Xô estresse!

Agendas muito cheias e rotinas extenuantes custam caro para a massa cinzenta. Quando estamos estressados temos dificuldades de nos concentrar e reter novas informações. A longo prazo, a tensão crônica danifica a memória, mas há também uma relação imediata.

8. Maneire na bebedeira

Em excesso, o álcool é tóxico para o sistema nervoso, ataca os neurônios e bagunça o processo de retenção das lembranças.

9. Mantenha a saúde em dia

Para que o cérebro funcione, o sangue tem que abastecê-lo sem falhas. Por isso, doenças cardiovasculares e diabetes, assim como níveis elevados de gorduras e açúcar no corpo, podem também agravar os esquecimentos com o avançar da idade.

 

Fontes: Mutarelli, neurologista e coordenador do Núcleo de Neurociência do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo; Cristoforo Scavone, bioquímico coordenador do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP; Pedro Calabrez, neurocientista e pesquisador do Instituto de Neurociências Aplicadas da Universidade Federal de São Paulo, consultados em matéria do dia 18/12/17.

 

Publicado originalmente em:  https://vivabem.uol.com.br/noticias/

COMPARTILHE O POST

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on print
Share on email