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Não seja um cuidador do idoso!

Essa frase pode soar estranha, mas eu explico!

Quando temos um idoso na família que precisa de cuidados, buscamos sempre ser o melhor cuidador possível (ou pelo menos deveria ser assim!). Isso é, queremos logo mudar toda a casa, mudar as coisas de lugares, trazer o quarto para o andar de baixo, mudar a rotina…

Isso parece óbvio para nós, mas não para o idoso, principalmente se ele tiver sinais de demência. Nessa busca de ser o melhor cuidador, na verdade nos tornamos verdadeiros controladores, e tiramos o idoso do controle da sua própria vida.

Um idoso com Alzheimer por exemplo, não irá entender todas essas mudanças drásticas e repentinas. Queremos que o idoso aceite a nova realidade, mas esquecemos que ele não é capaz de entender certas coisas, e com isso vamos destruindo a sua personalidade.

Mas se esse idoso não é mais capaz de entender o que está acontecendo, nós devemos ser. Nós devemos aprender a ser um parceiro no cuidado, e não apenas um cuidador. Precisamos entrar no mundo da demência com ele e enxergar as coisas a partir dos seus olhos, para aceitar e validar a sua realidade.

Não podemos mudar o idoso, mas podemos mudar o ambiente em que se vive. Precisamos aprender a controlar a nós mesmos e não as circunstâncias. Devido a mudanças psicológicas e neurológicas, não iremos mudar uma pessoa com demência, mas podemos mudar o nosso comportamento. É importante reconhecer que o primeiro passo é mudar a nós mesmos.

Quando passamos o olharmos a situação de forma diferente, passamos de cuidador a parceiros no cuidado. Mas parceiro de quem?

Da pessoa com demência! Isso significa que não estaremos apenas “dando” mas também “recebendo”. Muitas vezes esse momento de grande desafio na família e nas relações é também uma oportunidade para laços serem refeitos, para o perdão ser praticado. Quando nos tornamos não apenas cuidador, mas parceiros, mudamos nosso olhar para também recebermos, sem falsas expectativas, mas cientes de que aquela pessoa está dando o que ela pode.

As doenças como o Alzheimer não destroem a pessoa, como muito se diz. Ela continua ali, e é nosso dever, como parceiros no cuidado ajudá-la a encontrar-se.

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